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Projeto UNIVERSIDADE E PRISÃO: um diálogo crítico e dialético.

O projeto de extensão “Universidade e Prisão: um diálogo crítico e dialético” - desenvolvido pela Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) em parceria com a Coordenação de Serviço Social da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (SEAP) – desenvolve desde 2011 um trabalho socioeducativo com os internos da Penitenciária Industrial Esmeraldino Bandeira, já tendo sido atendido pelo projeto cerca de 300 internos.

A Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro foi criada em 15 de abril de 2010 (Autorizado pela resolução UNIRIO nº 3207, de 29.10.2009) e desde sua origem vem desenvolvendo atividades de ensino, pesquisa e extensão na área temática sociojurídica e, especificamente, sobre o tema prisão.

Desde 2011, a ESS/ UNIRIO desenvolve o projeto de extensão “Universidade e Prisão: um diálogo crítico e dialético” sob a coordenação da professora doutora Lobelia da Silva Faceira, através do qual são implementadas as atividades de Grupo de estudo e o Trabalho sócio educativo com os internos da Penitenciária Industrial Esmeraldino Bandeira.

O Grupo de Estudo tem o objetivo de apresentar bibliografia diversificada sobre a área temática aos discentes, constituindo um espaço de leitura, debate e construção de um referencial teórico, que dê subsídios às etapas de investigação e intervenção. Ele é realizado todas as terças-feiras das 15 às 17 horas, tendo uma seleção de textos a serem lidos e debatidos pelos participantes, a partir da exposição de um filme ou documentário, sendo aberto à participação de profissionais da área sociojurídica, bem como discentes de outros cursos e universidades, egressos e familiares, que tenham interesse pela temática.

Trabalho sócio educativo com os internos da Penitenciária Industrial Esmeraldino Bandeira, que consiste em apoiar e desenvolver, junto com o setor de serviço social e de psicologia da unidade prisional, uma atividade de grupo informativo e reflexivo com os internos, intitulado pelos mesmos como “Projeto reciclar é viver”.

O Projeto Reciclar é viver propicia a reflexão de temas diversos do cotidiano prisional e da vida social, através de filmes, documentários e técnicas de dinâmicas de grupos diversas, tendo atendido em 2013 cerca de 1.121 internos (contabilizando o número diário de internos atendidos).

Os internos avaliam que no grupo eles tiveram a possibilidade de repensarem e refletirem sobre questões como: o cotidiano prisional, o apoio e a “privação de liberdade” de seus familiares, as perspectivas de trabalho e as limitações e mudanças do mercado de trabalho. Eles ressaltaram a importância do trabalho, no sentido de efetivar um espaço de reflexão sobre o cumprimento da pena e a perspectiva de retorno à totalidade de suas relações sociais, no processo de cumprimento da liberdade condicional. Abaixo destacamos alguns depoimentos dos internos:

Estou há 10 anos no sistema prisional, sou reincidente e pela primeira vez vejo um trabalho que de fato ressocializa o preso (Interno V) Quando soube do grupo, resolvi aparecer mesmo sem senha e me infiltrei no grupo...rs...desde então não faltei uma atividade. O grupo não pode parar, pois antes dele eu só pensava em coisas ruins, não acreditava que podia sair daqui e ser diferente. Com o grupo comecei a ter esperanças. (Interno CL) Outro dia assistimos, na escola, o filme do Vik “Lixo extraordinário”. Esse cara mudou a vida daquelas pessoas no lixão. Mostrou que eles podiam produzir arte, apresentou um novo caminho, uma nova vida. O grupo também fez isso com a gente. Ele mostrou que podemos seguir um caminho diferente, que podemos reciclar nossas vidas. (Interno CR) Nós tivemos a ideia de multiplicar este trabalho para o pavilhão B, pedimos uma sala para o diretor e tudo que vocês fazem aqui, nós fazemos igualzinho lá dentro para os outros presos. Desenhamos na parede uma pirâmide da ressocialização, onde está em cima a assistência religiosa, e nas pontas, de um lado o ‘Projeto Vida’ da psicologia e de outro o ‘Projeto Reciclar é viver’. Este é o nome do projeto de vocês...rs...vocês nos ensinam a reciclar nossas vidas. (Interno M)

Os depoimentos evidenciam a relevância do trabalho sócio educativo com os internos da SEAPEB e sua contribuição para o processo de reflexão sobre o cotidiano prisional e a totalidade da vida social.

Registramos, no decorrer de 2013, as atividades de grupo de estudos, trabalho socioeducativo com os internos da Penitenciária Industrial Esmeraldino Bandeira e a pesquisa “As faces do trabalho na prisão”, dando viabilidade aos objetivos do projeto

Ressaltamos ainda a relevância do projeto de extensão, no sentido de propiciar ao discente o desenvolvimento das competências teórico metodológicas, ético políticas e técnico operativas. Além do fato das atividades extensionistas oportunizarem a efetivação do papel social de produção e socialização de conhecimento científico.

Abril/2014 » Lobelia da Silva Faceira